Seguros Saúde · 18 de outubro de 2026
Escolher um seguro de saúde pelo preço é a forma mais fácil de te enganares. Dois seguros com o mesmo prémio podem cobrir coisas muito diferentes: um paga só o internamento, outro paga também consultas e exames, e um terceiro pode nem ser um seguro.
O que decide se o seguro te serve são os capitais de cada cobertura, a rede de médicos e hospitais, os copagamentos e as regras de idade e renovação. Explicamos como comparar cada um.
Em resumo
- Um cartão de saúde dá descontos numa rede, mas não é um seguro: não paga nada por ti.
- Compara o capital de cada cobertura, sobretudo o do internamento e o das consultas e exames.
- Na rede pagas um valor fixo por ato; fora dela pagas tudo e recebes uma parte.
- Os seguros mais baratos costumam cobrir só o internamento.

Um seguro de saúde paga despesas de saúde por ti, até aos capitais contratados. A seguradora assume o risco e é supervisionada pela ASF (regime jurídico do contrato de seguro, artigos 213.º a 217.º).
Um cartão de saúde, muitas vezes vendido como "plano de saúde", só te dá descontos numa rede de prestadores, em troca de uma mensalidade. Não reembolsa nada, e se precisares de uma cirurgia pagas o preço com desconto. A ASF não o supervisiona.
Em 2025, a ASF recomendou às seguradoras que deixassem de chamar "planos" às opções dos seus seguros, para não haver confusão. O teste mais simples: pergunta qual é o capital de cada cobertura. Se não houver capital, não é um seguro.
Cada cobertura tem um capital anual, por pessoa: o máximo que a seguradora paga nesse ano. Gasta-se com o uso e repõe-se na renovação. Nos seguros que vemos no mercado:
| Cobertura | O que paga | Capitais habituais |
|---|---|---|
| Hospitalização | Internamento e cirurgias | 15.000 € nos seguros de entrada; 50.000 € a 100.000 € nos intermédios |
| Ambulatório | Consultas, exames e tratamentos sem internamento | Muitas vezes opcional; 1.000 € a 5.000 €, ou um número de consultas |
| Parto | Parto e cesariana | Muitas vezes dentro do capital da hospitalização |
| Estomatologia | Dentista | 250 € a 1.000 €, quando existe |
| Próteses e ortóteses | Óculos, lentes e outros dispositivos | 500 € a 2.500 €, com limite mais baixo para óculos |
| Doenças graves | Tratamento de doenças como o cancro, muitas vezes no estrangeiro | Até 1.000.000 € nas opções mais completas |
Dois avisos. Nos seguros de saúde, a cobertura de doenças graves paga o tratamento, normalmente na rede da seguradora e com autorização prévia. Não é dinheiro pago no diagnóstico, que é outro seguro, do ramo vida. E o parto, quando está dentro da hospitalização, gasta o mesmo capital.
Hospitalização ou ambulatório? O internamento é onde estão as despesas grandes, por isso um capital baixo pode não chegar para uma cirurgia complexa. O ambulatório é a cobertura que mais se usa no dia a dia, e pesa mais para famílias com crianças ou para quem tem consultas frequentes.
| Rede convencionada | Reembolso | |
|---|---|---|
| Como funciona | Vais a um médico ou hospital da rede e pagas só uma parte fixa | Vais a quem quiseres, pagas tudo e pedes o reembolso |
| Quanto pagas | Um copagamento, por exemplo 15 € a 20 € por consulta e 45 € a 50 € por urgência | A diferença entre a fatura e o que a seguradora devolve |
| Atenção | Confirma se há médicos e hospitais da rede perto de ti | A percentagem pode ser baixa, há seguros que devolvem 35%, e aplica-se a valores de tabela |
Alguns pormenores que fazem diferença:
O seguro de saúde individual é, em regra, anual e renovável. A seguradora pode decidir não o renovar (artigo 112.º). Se isso acontecer, continua a pagar a doença que surgiu enquanto estavas seguro, durante dois anos e até esgotar o capital do último ano, desde que a avises nos 30 dias seguintes ao fim do contrato (artigo 217.º).
As idades variam muito. A idade máxima para entrar vai dos 55 aos 75 anos, conforme o seguro, e há seguros sem limite de permanência para quem entra antes de uma certa idade. Se tens mais de 60 anos, vê o guia sobre o seguro de saúde depois dos 65.
As carências são os períodos em que uma cobertura ainda não funciona: em regra 60 a 90 dias para consultas e cerca de um ano para o parto. Explicamos os prazos habituais no guia sobre o período de carência.
As doenças que já tens quando fazes o seguro estão cobertas, salvo se o contrato as excluir (artigo 216.º). Vê como funciona no guia sobre doenças pré-existentes.
Um seguro de saúde de grupo, pago pela empresa, é uma boa vantagem, mas acaba normalmente quando sais (artigo 83.º). Só o podes manter se o contrato o previr (artigo 85.º). Ao passar para um seguro individual, a nova seguradora pode aplicar carências e excluir doenças que entretanto surgiram. Pede as condições por escrito e só deixes o seguro antigo quando o novo estiver emitido.
O seguro de saúde não substitui o SNS: continuas a ter direito a ele. Quando o capital de uma cobertura se esgota, voltas ao SNS ou pagas tu.
Se tens ADSE, podes usá-la em conjunto com um seguro. Um paga primeiro, e o outro paga a parte que ficou por pagar, com a declaração de complemento de comparticipação que a ADSE emite (gov.pt). Antes de pensares em trocar a ADSE por um seguro, lembra-te de que a ADSE não tem limite de idade nem de capital, e que quem sai não pode voltar.
O preço depende sobretudo da idade, das coberturas e dos capitais. Nos exemplos publicados:
| Perfil | Coberturas | Preço indicativo |
|---|---|---|
| Jovem adulto | Só hospitalização, 15.000 € | cerca de 7 € a 17 € por mês |
| 40 anos | Hospitalização de 50.000 € a 75.000 € e ambulatório | cerca de 46 € a 77 € por mês |
Num seguro familiar, as seguradoras costumam dar 5% a 15% de desconto, conforme o número de pessoas. Lembra-te de que o prémio sobe com a idade. Estes valores são indicativos.
Compara seguros de saúde. Diz-nos quem queres segurar e as coberturas que procuras. Recebes propostas de várias seguradoras em até 24 horas úteis, grátis e sem compromisso. Simular seguro de saúde
Depois de assinar, tens 30 dias a partir da receção da apólice para desistir sem justificação (artigo 118.º). E lembra-te do IRS: explicamos o que podes deduzir no guia sobre o seguro de saúde e o IRS.
Não. Um cartão ou plano de saúde dá descontos numa rede, mas não reembolsa nem paga despesas por ti. Um seguro tem capitais por cobertura.
É o máximo que a seguradora paga por ano, por pessoa e por cobertura. Gasta-se com o uso e repõe-se na renovação.
Sim, se o seguro tiver reembolso: pagas a consulta e recebes uma parte. Na rede pagas menos, mas só nos médicos e hospitais da rede.
Pode não renovar o contrato. Mas continua a pagar a doença que surgiu durante o seguro, por dois anos e até esgotar o capital, se a avisares nos 30 dias seguintes.
Podem complementar-se: um paga primeiro e o outro paga o resto, com a declaração de complemento da ADSE. Compara o custo do seguro com o que gastas fora da ADSE.
Um seguro só de hospitalização para um jovem custa cerca de 7 € a 17 € por mês. Aos 40 anos, com consultas e exames, os preços publicados andam pelos 46 € a 77 € por mês.
Fontes: Regime jurídico do contrato de seguro (Decreto-Lei n.º 72/2008, artigos 83.º, 85.º, 112.º, 118.º e 213.º a 217.º), gov.pt, declaração de complemento de comparticipação da ADSE, DECO PROteste, como escolher um seguro de saúde e DECO PROteste, comparação de seguros de saúde (novembro de 2024). Capitais e prémios indicativos, com base nos produtos publicados pelas seguradoras em outubro de 2026.
Revisto pela equipa de mediação da Dingo. Última atualização: outubro de 2026. A Dingo é mediador de seguros registado na ASF. Este artigo é informativo e não substitui a leitura das condições da tua apólice.
Simular seguro de saúde